A Reencarnação Explica - Sidney Fernandes

Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.

João 3:3

Conseguem as religiões e filosofias tradicionais conviver pacificamente? Até que sim, pois no atacado, isto é, nas generalidades, falam a mesma língua. Acreditam na existência de um único Deus, aceitam a imortalidade da alma, conceituam o progresso humano como finalidade natural da vida e admitem que os atos do homem, positivos ou negativos, determinarão suas consequências na vida futura.

A coisa pega, isto é, começam a aparecer as divergências, quando surgem as incômodas perguntas filosóficas. Quem faz uso do raciocínio e da reflexão começa a buscar explicações não explicitadas pelas crenças, que costumam abusar das palavras “mistério”, “coincidência” ou da mágica expressão “vontade de Deus”.

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Por que alguns homens são mais adiantados do que outros e parecem ter intuição de certos conhecimentos?

Por que certas pessoas têm ideias inatas ou intuitivas, como se já trouxessem, em seu nascimento, percepções de conhecimentos que ainda não adquiriram na presente existência?

Por que algumas crianças revelam extraordinárias aptidões artísticas ou científicas, enquanto outras parecem ser inferiores e se mantêm medíocres por toda a vida?

Como justificar o gênio, em contrapartida com milhares de limitados intelectualmente?

Por que tão díspares tendências entre bons e maus, virtuosos e viciados?

Como entender a existência de criaturas fortes, saudáveis e atléticas, em flagrante contraste com deficientes, fracos e enfermos, às vezes dentro da mesma família?

Como explicar essas evidentes distorções?

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Deus é infinitamente justo e bom e não criou almas desiguais, por simples capricho, e jamais seria parcial. Seu amor é consagrado de forma absolutamente igual a todas as criaturas. Como então justificar essas diferenças? Que filosofia ou religião seria capaz de resolver esses problemas?

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Enquanto insistirmos na ideia de que a alma nasce com a concepção do corpo humano, não encontraremos respostas para essas perguntas.

Por outro lado, se admitirmos:

— que já vivemos outras vidas;

— que trazemos do passado os conhecimentos adquiridos em outras existências;

— que durante a atual encarnação esquecemo-los em parte, mas guardamos a intuição que deles conservamos;

— que o artista e o gênio de hoje trazem os talentos duramente adquiridos em seus estudos do passado;

— que herdamos, em nosso corpo físico, as marcas dos desequilíbrios do pretérito em forma de limitações e deficiências;

— que o bom de hoje já foi mau anteriormente e agora retorna revigorado e regenerado....

 Então teremos, com a doutrina das múltiplas existências — a reencarnação — a explicação para todas as dúvidas e a confirmação da justiça divina, porquanto, o que não se pode fazer numa vida, poderemos fazer em outra, de acordo com nossos merecimentos.

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Àqueles que se sentem desconfortáveis com os argumentos filosóficos que resumidamente apresentamos, gostaríamos de trazer o depoimento contido no livro Crianças Que se Lembram de Vidas Passadas, de Ian Stevenson. O cientista e professor narra caso que ele denominou de As Gêmeas Pollock.

Geralmente ele traz casos desse tipo de países orientais ou de cultura reencarnacionista. O primeiro aspecto interessante a ser destacado é que este caso foi documentado na Inglaterra, um local, geralmente, com poucos relatos de reencarnação. Além de Stevenson, também William Bernett estudou o caso das irmãs Pollock, em seu livro Crianças que lembram de vidas passadas: uma questão de reencarnação.

No dia 05 de maio de 1957, na pequena localidade de Whitley-Bay, no Reino Unido, as meninas Joanna (11anos) e Jacqueline (6 anos) dirigiam-se apressadas à igreja, a fim de guardar lugares para seus pais. Quando dobraram uma esquina, foram atropeladas e mortas por um veículo.

Um ano mais tarde, o casal Pollock voltou a ter filhos, desta vez duas gêmeas, que receberam os nomes de Gillian e Jennifer, nascidas em 4 de outubro de 1958. Quando as meninas completaram três anos, começaram a falar do acidente ocorrido com as suas irmãs. Os pais perceberam que elas tinham capacidade de se lembrar de fatos ocorridos com Joanna e Jacqueline, falecidas em 1957,

Conheciam cada canto da casa, as pessoas da cidade, tinham os mesmos hábitos e, embora fossem gêmeas, uma parecia ser maior e protegia a outra, que aceitava o papel de irmã menor. Conheciam as brincadeiras de suas irmãs e colocaram nas suas bonecas os mesmos nomes que elas haviam colocado.

Jennifer nasceu com estranhas marcas de nascença em seu corpo, que pareciam ser cicatrizes, sendo que nunca havia sofrido qualquer acidente. Sua falecida irmã Jacqueline, sim, tinha as mesmas marcas, causada por uma queda de seu triciclo, quando tinha dois anos de idade.

Embora nunca tivessem ido à escola em que as irmãs haviam estudado, sabiam exatamente sua localização e o caminho que elas faziam para lá se dirigirem e conheciam um parquinho na parte de trás.

Doutor Ian Stevenson estudou o caso em profundidade e concluiu que, provavelmente, as gêmeas fossem a reencarnação das irmãs falecidas.

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Todos nós vivemos muitas vezes. O que não pudemos realizar numa vida realizaremos em outras, neste e em outros planetas, de forma a caminharmos sempre em busca do progresso.

Somente assim a humanidade melhorará gradativamente, dirigindo-se, passo a passo, para novos mundos, visando graus superiores de existência.

O planeta Terra pode ser considerado uma escola, um hospital, uma prisão, uma morada transitória, um depurador ou, ainda, como nos ensina André Luiz, um carvão milagroso capaz de absorver os tóxicos e resíduos de sombra que trazemos no corpo espiritual. Tudo, menos o nosso lar. A vida verdadeira está na espiritualidade e é em termos de espiritualidade que devemos pautar os anseios e os objetivos.

Fiquemos com André Luiz, em Entre a Terra e o Céu:

Voltando à Terra, atraímos os acontecimentos agradáveis ou desagradáveis, segundo os títulos de trabalho que já conquistamos ou conforme as nossas necessidades de redenção.

Valorizemos a vida e o corpo, extraordinário vaso divino que Deus investiu para o crescimento de nossas potencialidades. Consideremos as tribulações da existência como experiências essenciais, por meio das quais chegaremos à almejada transformação moral, à vitória sobre nossas imperfeições, e como caminho virtual para, um dia, chegarmos à perfeição.   

 

Fontes consultadas: O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, Crianças Que se Lembram de Vidas Passadas, de Ian Stevenson e Entre a Terra e o Céu, de André Luiz.